domingo, 11 de janeiro de 2009

Adeus em grande




Sabe quais os ingredientes que tornam uma despedida inesquecível? Pois, não é só o choro... Precisa também de muito amor, alegria e gratidão que brotam de corações unidos. Juntam-se pessoas talentosas para organizar a festa, muita comida e está feito. Assim nossos amigos da CMC e de Portugal nos prepararam algumas surpresas nestes dias que antecedem o retorno da nossa família ao Brasil. A todos os irmãos, o nosso muito obrigado. Para ver mais fotos, acesse http://picasaweb.google.com/marcusdomiciano/Despedida.

Susto na serra


A torre cheia de neve, com um sol maravilhoso, só para nós. Como saímos de Lisboa às 5 da manhã, fomos os primeiros a chegar à torre da Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal continental. Foi a despedida da nossa família da neve, com a companhia do casal Marco Aurélio e Elane, do filho deles, o Gabriel, e do Jhonathan. O almoço foi num parque de merendas, com direito a uma vista maravilhosa. Depois fomos conhecer Piódão, uma vila encrustrada nas pedras, com casas de xisto (ardósia para os brasileiros). Fazia sol ainda quando decidimos voltar para o topo da serra, para a última escorregadela. E aí começou a nevar, nevar, nevar e nevar muito. Ao voltarmos, paramos numa vila chamada Sabugueiro. Ainda nevava, quando enfim decidimos ir embora. Mas era tarde demais... O piso já estava congelado. A carrinha deslizou várias vezes, até sermos salvos por um jipe da Defesa Civil e pelo caminhão limpa-neves. Foi lindo o nevão (ainda mais que era a estréia do Jhonathan, goiano, da quente cidade de Turvânia), mas o alívio veio mesmo quando escapamos da neve!


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Da janela lateral




Durante três anos esta foi a vista do escritório da CMC Portugal, em Carnaxide. Na verdade, é um apartamento grande, com quatro quartos, sala, cozinha e duas casas de banho. Um dos quartos serve de escritório e da janela podemos ver, ao fundo, a serra de Carnaxide. Do outro lado do morro está a Amadora, uma das grandes cidades do país. A rua que aparece é a Avenida Portugal, que cruza todo o bairro.

Como estamos num lugar alto, geralmente venta muito. E quando chove então... Mas é sempre agradável olhar para aquele horizonte (quando a neblina não cobre).

Neste início de 2009 tivemos três dias com muito nevoeiro e frio, muito frio. Na mesma época, em 2006 e 2007 nevou em Lisboa.

Carnaxide fica no concelho de Oeiras e é conhecida em Portugal por ser o bairro onde estão os estúdios da SIC, emissora de televisão que retransmite as telenovelas brasileiras. Enfim, nem do outro lado do Atlântico conseguimos nos livrar. É a globalização!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Crescimento sustentado (graça + conhecimento)

O meu alvo para 2009, senão o de toda a minha vida, é um amadurecimento espiritual como ocorreu com Jesus. Em Lucas 2:40, temos: “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”. Lucas 2:52: “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. O menino Jesus crescia! Diante de Deus e dos homens!

O apóstolo Pedro ensina: “Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno” (2 Pedro 3:18). Então, como Jesus, eu desejo crescer. Não quero ficar bebê, nem menino espiritual.

A nossa vida cristã exige conhecimento. Mas entendo que crescer na graça é tão importante quanto crescer no conhecimento. Quando investimos na graça, na dependência de Deus, na intimidade com Ele, o conhecimento é acrescentado. Quando perdemos a graça, quando perdemos o prazer de ter comunhão com o Senhor, nos tornamos estrelas, pessoas difíceis. Mas Jesus sempre foi acessível.

A graça é simples e se manifesta de várias formas. Um precioso exemplo está em Lucas 7:36-50, quando uma mulher pecadora ungiu os pés de Jesus. Esta passagem revela o desespero da mulher e como Cristo quis aliviar a carga dela, assim como está sempre disposto a nos ajudar.

A primeira atitude da mulher foi oferecer algo, e não receber. A oferta foi de um vaso de alabastro, unguento caríssimo (v. 37). Que tal mudarmos nosso pensamento: antes de desejar ter algo, pensar em oferecer algo a Jesus, a Deus? O que você tem de melhor, de mais precioso. Quem sabe sua vida, seu tempo, seu talento…

Em seguida, ela demonstra humildade e vai aos pés de Jesus, chorando. É o choro próprio da bem-aventurança, de quebrantamento (v. 38). Quando buscamos a Deus como essa mulher, com as motivações corretas, sem querermos fazer trocas, barganhas, imagino que Deus tenha prazer em nos atender e nos satisfazer. A mulher pecadora, certamente uma prostituta, dribla a todos e vai até Jesus.

De um lado esta mulher, do outro, Simão, que era um homem de posse, mas pisou na bola em todos os sentidos. E Jesus notou, apesar de Simão pensar que não. No versículo 36, Jesus tomou lugar à mesa. Não era comum, pois primeiro o servo lavava os pés dos visitantes. Jesus também não foi saudado com ósculo por Simão, que deve ter pensado: “Este aí qualquer coisa serve”.

Simão também não reconheceu Jesus como profeta, pois não o ungiu com óleo. Mas devia ter honrado como homem, como pessoa. Simão achava que tinha feito muito bem. Jesus percebe tudo de nós, nossa indiferença, falta de comprometimento.

A partir do versículo 41, Jesus usa uma parábola e indica os pontos errados de Simão, anunciando o perdão dos pecados. A verdade é que temos que cuidar do nosso coração. Se perdermos a simplicidade, nos perdemos na felicidade. Crescer de forma sustentada é crescer na graça e no conhecimento. Um excelente 2009 com Jesus.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Quando minha vida começou a mudar

Imagine um garoto de 16 anos, com imensos planos e acabado de ser convocado para a Seleção Brasileira de Futebol, sub-17. Uau, o que poderia ser melhor? Vou contar que o melhor ocorreu alguns meses antes de eu ser chamado para defender o país no Campeonato Mundial, no Canadá (eu não cheguei a viajar, pois fui cortado).

Meu pai era viajante-propagandista de remédios e, por conta da profissão dele, mudamos três vezes de cidade. De Avaré para Ourinhos, de Ourinhos para Botucatu e de Botucatu para Bauru, todas no interior de São Paulo. Saí de Avaré com 11 anos de idade e cheguei a Bauru com 15. Como gostava de jogar futebol, passei numa peneira do Noroeste e ali comecei minha carreira na categoria dentão.

Havia um grupo dos Atletas de Cristo que se reunia semanalmente para estudar a Bíblia e discutir alguns assuntos que eu achava por demais religiosos e insignificantes. Mesmo assim, de vez em quando, eu participava das reuniões, devido à insistência dos meus companheiros de time Sérgio Moralez e do Luiz Novaes. Serginho é hoje empresário de futebol e o Luizinho se tornou num artista da fotografia.

Em fevereiro de 1987, depois de ver frustradas minhas intenções noturnas de me divertir num clube durante o carnaval (meu pai descobriu que eu tinha falsificado uma carteirinha de sócio), fui "aconselhado", para meu próprio bem, a ficar em casa naqueles dias, para não fazer mais asneiras. Concordei, mas logo procurei outra saída. Lembrei-me de um convite para participar de um acampamento cristão. Embora não soubesse bem o que se fazia lá, aceitei, e expliquei ao meu pai que eles deviam passar o tempo rezando, a maior parte em silêncio...

Tudo foi bem diferente do que eu pensava. Pessoas alegres e bonitas (foi aí que conheci minha futura esposa), comida boa, uma maneira divertida de ensinar a Bíblia, jogos, gincanas. Êpa, o que se passa aqui? Pela primeira vez eu ouvia uma mensagem sobre Jesus que me fazia repensar os meus conceitos. Arrependimento, batismo, salvação, Reino de Deus, ser discípulo! O suficiente para eu crer e tomar a decisão de passar pelas águas do batismo. Afinal, a Palavra de Deus se tornara viva para mim. E eu recebi Jesus para, a partir daquela data, Ele ser o Senhor da minha vida.

Voltando ao assunto do futebol, que é verdadeiro, logo depois da minha alegria de saber que tinha a vida eterna, fui convocado para a Seleção Brasileira, dirigida pelo técnico José Teixeira. Na equipe estavam Carlos Germano, Rogério, Bentinho, Paulo Nunes e Assis (irmão do Ronaldinho Gaúcho), que se tornaram mais conhecidos. Ficamos um mês treinando no recém-inaugurado complexo desportivo da CBF, na Granja Comary, em Teresópolis. Mas eu fui cortado do grupo de 18 jogadores que viajou para o Canadá. Infelizmente, a equipe não chegou ao título. Nesta minha decepção, aprendi mais de Deus do que tudo que tinha passado em minha vida.

Depois daqueles dias, minha mãe percebeu em mim diferenças. O menino que ralhava com ela e não colaborava nas atividades de casa agora estava tranquilo, lia a Bíblia e se dispunha até a ajudá-la. Dona Ana chegou a pensar que tinham feito lavagem cerebral no seu primogênito. Um dia, ao pegar carona com um amigo de meu pai, também vendedor-propagandista, ele deu os parabéns a ela pelo seu filho ter se batizado (ele frequentava a igreja). Ele só não sabia que eu tinha ocultado da minha família (errei por isso, reconheço). Pude ver na expressão da minha mãe a indignação. Mas ela se conteve, pelo menos até sairmos do carro.

Para conferir o que realmente se passava comigo, ela e minha irmã Analice começaram ir aos cultos para saber que raio de seita era esta. Uma, duas, três vezes. Gostaram das músicas, das mensagens. Resultado: as duas entenderam o propósito eterno de Deus para as suas vidas e se converteram, mudaram de direção. Minha mãe é uma mulher de oração, cheia de fé e coragem. Minha irmã é uma dentista que ama o Senhor Jesus e serve-O junto com seu marido Márcio Zane e o meu sobrinho Léo, como tutores de uma escola bíblica. Meu pai tem visto as bençãos de Deus na família e creio que logo tomará sua posição ao lado de Cristo.

Na verdade, meu plano era que, quando ficasse velho, iria pensar em Deus e nas Suas coisas. Até lá, teria muito tempo para ganhar dinheiro, alcançar o sucesso, etc. Eu achava lindo o meu avô Alcides, já aposentado, ir praticamente todos os dias à igreja. Entre as heranças que "seo Alziro" deixou estão a simpatia, a gentileza, a alegria de buscar a Deus e a paixão pelo São Paulo (pelo menos é o que me lembro, pois quando ele partiu eu ainda era um menino). Pensava que ao chegar àquela idade faria o mesmo. Engano. Ainda bem. Com 17 anos Cristo chegou à minha vida e eu nunca mais quero sair de perto dele!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um brinde ao autor da vida, e dos milagres!

Termino 2008 agradecido a Deus, que não só me deu vida física, mas também tem me sustentado espiritualmente. Para mim, seria um tremenda falta de gratidão deixar de registrar que no último dia 17 de outubro fez 5 anos que o Senhor me livrou milagrosamente da morte, mais uma vez. Digo mais uma vez porque sofri sérios acidentes quando criança, mas nenhum deles comparado ao atropelamento por um caminhão.

Foi numa tarde de primavera, quando retornava para casa, de moto, em Bauru, interior de São Paulo. Tenho que esclarecer que nunca gostei de moto, meus pais muito menos e a Cássia também não. Mas quando mudei de casa, precisamos vender um carro para ajudar no pagamento. A opção para não ficar à pé foi comprar a moto, uma Suzuki Intruder 250.
Bem, voltando ao dia fatídico, o motorista não me enxergou e, ao fazer uma conversão à esquerda, me atingiu em cheio. Tentei ainda desviar, mas depois de deslizar no asfalto por uns 5 metros, embati no pneu do caminhão. O impacto foi tão violento que confesso que pensei ter morrido. Aliás, aqueles momentos antes da colisão pareciam intermináveis, a vida correu em slow motion. Abri os olhos e percebi que ainda estava no planeta terra. Não tive coragem de olhar para as minhas pernas, pois não as sentia. E também temi olhar para a barriga e ver talvez algum órgão exposto.

Naquela rua moravam duas médicas que, ao perceberem o movimento, correram para ficar junto de mim. Dois anjos que Deus providenciou. Elas me mantiveram acordado e foram monitorando os meus batimentos cardíacos. A dor era terrível. O Corpo de Bombeiros demorou 40 minutos para chegar.

Depois de 2 horas, entre atendimento de urgência e exames, a cirurgia. O osso da bacia foi quebrado em múltiplos pedaços. Com o impacto, estes ossos cortaram músculos, a bexiga e minha uretra foram rompidas. O osso sacro, na base da coluna, trincou. Os médicos reconstruíram a bexiga, mas preferiram esperar para operar a uretra e colocaram uma sonda para eu eliminar o líquido. A técnica escolhida pelos ortopedistas foi colocar uma armação de ferro nos ossos quebrados, para esperar a calcificação.

Foram 4 meses deitado numa cama, movendo-me o mínimo possível. O quarto dos meus filhos virou uma unidade hospitalar. Um enfermeiro, o super Jair, foi contratado para cuidar diariamente dos meus ferimentos, trocar curativos, lavar-me, etc... (mas eu tive outros enfermeiros da família, ligados 24 horas por dia, como minha irmã Analice, meu cunhado Márcio, a cunhada Lia - que é mesmo enfermeira - , minha mãe, sogra). O fisioterapeuta Antônio Zuiani Júnior também me ajudava a não ficar totalmente inativo. No quarto mês eu fiz a primeira operação para reconstrução da uretra. No quinto, fui autorizado a sentar na cama e a dar alguns passos. No fim do sexto, foram retirados os pinos e voltei a caminhar sozinho, mesmo com a ajuda de muletas.

Tem um episódio aí neste período que foi marcante, quando sentei pela primeira vez na cadeira de rodas. Para eu ir ao médico, tinha que ser numa ambulância, pois era levado de maca. Como minha sogra tinha um plano de saúde numa funerária, o carro, sempre que necessário, aparecia para me apanhar. Os vizinhos logo sabiam que não era caso de morte, e eu fazia a questão de, mesmo na maca, dar uma balançada na cabeça para evitar mal-entendido. Quando retornamos da consulta, ainda na sala de jantar de casa, os dois homens da funerária que me acompanharam neste período me puseram na cadeira e eu, imediatamente, comecei a chorar, emocionado, grato pela excelente recuperação. E quando olhei para eles, também choravam, assim como minha mãe, a Cássia, minha sogra...

Ah, teve um dos ortopedistas que, ao me ver levantar a perna esquerda, mesmo deitado, falou assim: "Seu Deus é mesmo grande". É que pelo planejamento dele, ainda demoraria vários meses para os nervos voltarem a crescer. Olha, foi mesmo milagre atrás de milagre. Peguei inclusive uma infecção hospitalar que chegou ao sangue (bacterimia). Comecei a tremer na cama e não conseguia me controlar. Ninguém sabia direito o que estava acontecendo, deram-me água com açúcar, sal (talvez fosse pressão baixa). E depois foi identificada a infecção. Foram 6 meses ininterrupto de antibióticos.

Na reta final, a luta foi para manter o canal da uretra aberto, pois a reconstrução exigia que quase diariamente eu fizesse dilatações. O meu urologista, Dr. Enidélcio Sartori, me ensinou a aplicar a sonda, para conseguir sair de casa com mais autonomia. Assim, levava sempre os meus apetrechos. Quando queria fazer xixi e não conseguia, a sonda era um alívio benvindo.

Com esta loucura toda, voltei aos meus 69 quilos, peso de quando era um jogador de futebol que tentava chegar ao profissionalismo. Mas saí totalmente diferente, aprendendo a dar valor ao que realmente interessa. E mais dependente de Deus, que é o melhor lugar onde eu posso estar. E quero permanecer assim também em 2009, tendo o prazer de ver meus filhos crescerem e contando com a minha companheira Cássia para os novos desafios.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A vila de Cabral



Para um brazuca, visitar a terrinha onde Pedro Álvares Cabral nasceu e passou boa parte de sua vida é um privilégio. Em Belmonte, o castelo onde a família vivia ainda está lá. Bem, pelo menos as ruínas dele. A igreja, onde foi batizado, também recebe seu corpo. Há ainda um monumento no centro da vila em homenagem ao seu filho ilustre que comandou as descobertas em terras brasileiras. Enfim, viajar por cada cantinho de Portugal é sempre um prazer.