domingo, 22 de maio de 2011

No alto e no limite

"Era uma vez
Um lugarzinho no meio do nada
Com sabor de chocolate
E cheiro de terra molhada..."


A primeira parte da música interpretada por Toquinho, que fala sobre as lembranças da infância, retrata para mim o que é a Serra do Gerês, na divisa Portugal-Espanha. Foi ali numa pousada chamada "Casinhas do Curral Velho" que passamos uns dias inesquecíveis.

Para chegar até lá é preciso subir e descer muitos morros e ainda rodear a barragam da Caniçada. Por sobre uma das pontes que atravessam o rio Cávado podemos observar quase toda a extensão da serra, majestosa. Já tinha ouvido falar desta região, por causa de uma das etapas do GP de Moto, que ocorre em Jerez de La Frontera, do lado espanhol. 

Ao olhar do alto, a tentativa é para identificar os lugares. Onde está a Vila do Gerês, a Mata da Albergaria, o rio, a barragem, as terras espanholas? Impossível não pensar em como Deus criou toda aquela beleza e também como preserva o que fez, apesar de nós...

Já ao pé dos morros, a Vila do Gerês é encantadora, muito aconchegante, com casas de pedras e várias pontes atravessando o rio Arado. Encontrei até uns potes da fortuna, que me fizeram lembrar a Família Fortuna, que conhecemos em Portugal e não nos largamos mais. A verdadeira riqueza é a que está relacionada ao Reino de Deus e a que acumulamos no céu: "Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mateus 6:19-21).













Encontrei o Bom Jesus

Como venho me aventurando a contar o que lembro do norte de Portugal, não poderia deixar de citar Braga, onde está a Universidade do Minho. Minha esposa estudou lá e estivemos juntos algumas vezes na cidade. Inclusive para comer no restaurante "Frigideiras do Cantinho" ou simplesmente "Frigideiras". Ao fazerem obras no local, os donos descobriram vestígios romanos. Parte do chão agora é de vidro e durante as refeições é possível apreciar a área preservada.

E em Braga está o Santuário do Bom Jesus do Monte (ou Santuário do Bom Jesus de Braga), com uma grande escadaria, um elevador hidráulico centenário, a igreja e uma mata preservada. A vista de lá é fantástica. O local é referência do barroco europeu e começou a ser construído no século XIV.

Embora seja impressionante o número de igrejas (templos católicos) em Braga - a cidade dos Arcebispos -, também há muita riqueza na arte sacra. Há quem não goste, mas para mim é um desafio tentar decifrar cada obra, uma mais interessante que a outra.

Além do mais, o lugar leva o doce nome de Jesus, que está acima de todo o nome. E ainda aparece a  palavra "bom", que não considero um adjetivo, mas sim o que já é parte integrante do Seu caráter. Assim como Senhor, salvador, Cristo, santo, poderoso, fiel, justo, amigo...














sexta-feira, 20 de maio de 2011

Esta é a casa!

Ao caminhar pela zona ribeirinha e histórica do Porto dei de cara com aquele que é considerado um dos edifícios mais antigos da cidade: a Casa do Infante, o local onde teria nascido o Infante Dom Henrique, o patrono dos descobrimentos portugueses. O prédio fazia parte da alfândega e nas escavações recentes foram encontrados objetos do cotidiano, cerâmicas, vidros e selos da alfandegagem, evidenciando o fluxo comercial que a cidade do Porto foi mantendo ao longo dos séculos. Hoje há um museu no interior, com uma sala ampla, onde estão expostos vestígios da ocupação romana. Há pontes metálicas sobre as áreas descobertas, para não danificar os mosaicos encontrados. Os portugueses já sabem melhor do que nós o valor da preservação.










Uma vitrine à beira do Douro

Compartilhar algumas histórias e lembranças pessoais me faz muito bem, embora não seja possível medir a repercussão disso. Como não cultivo pretensões comerciais que possam me trazer qualquer tipo de vantagem, tenho a liberdade de deixar registrado meus simples pensamentos e opiniões.

Sei que Portugal passa por uma terrível crise financeira, mas isto não me impede de mostrar as belezas naturais que conheci no país e algumas obras impressionantes. Até porque o incentivo ao turismo pode ajudar os patrícios neste momento delicado. E como o time do Porto acabou de ser campeão da Copa da Uefa, ao vencer o Braga, por 1 a 0, vou me meter a mostrar algo da região norte.

Uma grande construção que salta aos olhos no Porto é o aeroporto Francisco Sá Carneiro, hoje o mais moderno do país (o terceiro em número de passageiros, atrás de Lisboa e Faro), uma vitrine de arquitetura em aço. Foi considerada a melhor obra portuguesa de estrutura metálica e o melhor do mundo na categoria aeroporto com até 5 milhões de passageiros.

Inaugurado em 1945, passou por várias obras até chegar ao modelo atual. As empresas de baixo custo, principalmente a Ryanair, trouxeram uma nova dinâmica ao aeroporto. Outra coisa muito legal é que o metrô do Porto, que em alguns pontos corre na superfície, vai até o aeroporto. Isto não ocorre em Lisboa.

É, mas o Porto também tem o rio Douro, com suas seis pontes, como a do Freixo e da Arrábida, que fazem ligações rodoviárias importantes para o país. A mais antiga, de ferro - hoje desativada -, é a Dona Maria Pia, arquitetada pelo engenheiro Gustav Eiffel, o mesmo da Torre Eiffel.

Ah, a cidade velha é encantadora, e olhar para os depósitos do vinho do Porto é tão saboroso quanto beber o próprio (exagero, é claro). Achei até uma vinícola "Fonseca", que é sobrenome de parte da minha família, do lado da minha mãe.

Para completar tem a Francesinha, um lanche com pão de forma, fartura de carnes (linguiça, salsicha fresca, fiambre, carnes frias, bife de vaca ou lombo de porco assado e fatiado) e muito queijo, derretido. Acompanha um molho delicioso de tomate, cerveja e piri-piri. São opcionais os ovos fritos e batata frita. Hum!