sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

É longe, mas nada de reclamar

Quando Jesus se preparava para entrar em Jerusalém enviou discípulos para buscar um jumentinho, sobre o qual montaria. Ao encontrarem o animal, desprenderam-no. Mas a reação de quem viu a cena foi imediata: "Alguns dos que ali estavam reclamaram: Que fazeis, soltando o jumentinho?" (Marcos 11:5). A reclamação nos desqualifica para a caminhada cristã.

Quem já passou por muitas guerras e necessidades tem muito a nos ensinar neste assunto. É um dos motivos pelos quais admiro o povo polonês. Uma das situações que presenciei lá foi a de um casal que hospedava minha família em sua casa. O homem convidou-me para ir buscar o carro na garagem. Imaginei que o carro estava estacionando bem perto, mas começamos a andar e não parávamos mais. Cem, duzentos, mais de trezentos metros. Observei umas casinhas de lata bem adiante, pensei que era um outro bairro, e ele explicou que dentro de uma delas estava o seu veículo.

Meu hospedeiro chegou tranquilo na rua sem asfalto, tirou o cadeado e já estava pronto para fazer a viagem de volta. Fiquei pensando na minha comodidade, com portão eletrônico, garagem para dois carros... Andar aquilo tudo com neve é uma loucura. E em nenhum momento eu o ouvi reclamar. Pelo contrário, contou que aquelas casinhas de lata eram úteis inclusive para guardar coisas e que foram um benfeitoria para os moradores de prédios mais antigos.

Hoje, o casal mudou-se para outra cidade. Estive com a esposa dias atrás, no Brasil, juntamente com meus familiares, mas esqueci de perguntar se a nova residência tem garagem. Mas também, não faria diferença, porque sei que eles não reclamariam!




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Entendendo melhor o sofrimento

Existem muitas teorias por aí sobre o sofrimento, os motivos pelos quais passamos por dificuldades. E este ano, particularmente, começou fervendo, cheio de situações aparentemente negativas. Nas minhas leituras, encontrei anotações de uma mensagem de Jaime Kemp, com o título "Por que sofremos?". E ele elenca 5 razões bíblicas (obviamente há outras):
 
1. Para crescimento da nossa fé (perseverança) e amadurecimento espiritual (maturidade e integridade) - Tiago 1:2-4.

2. Para aprendermos a depender de Deus em nossas fraquezas. É característica humana querer ser auto-suficiente, mas Paulo ensina “quando sou fraco, então é que sou forte” - 2 Coríntios 12:7-10.

3. Para que sejamos disciplinados, pois o Pai disciplina seus filhos porque os ama e o quer levá-los à santidade - Hebreus 12:5-13.

4. Para que Deus possa manifestar suas obras através de nossas vidas - João 9:1-3.

5. Para aprendermos a consolar os outros - 2 Coríntios 1:3-6.

Como nem tudo dá para entender, me satisfaço com a ilustração de que Deus usa um “termômetro” e um “relógio” para nos provar: sabe quanto calor (prova) e por quanto tempo pode aplicá-lo nas nossas vidas, pois Deus é bom (não é cruel), é sábio (não erra), mas às vezes não explica o porque (é soberano).

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Perdoe-me, Senhor, pelo desabafo

O cristão que realmente se dispõe a viver para Deus enfrenta uma crise, uma tensão constante, por entender o que significa estar servindo ao Senhor, renunciando os seus próprios interesses. Comecei o ano vivendo esta realidade, com o pensamento de que eu estaria perdendo tempo com o que faço. Mesmo sem entender direito o que se passava, encontrei na Bíblia uma indicação clara de que temos que permanecer firmes naquilo que nos propusemos a fazer.

O texto está em Malaquias 3:13-18: "As vossas palavras foram duras para mim, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Que temos falado contra ti? Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do SENHOR dos Exércitos? Ora, pois, nós reputamos por felizes os soberbos; também os que cometem impiedade prosperam, sim, eles tentam ao SENHOR e escapam. Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros; o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do seu nome. Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei, diz o SENHOR dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve. Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve".

Aprendemos a servir a Deus nos momentos de perda, de deserto, embora alguns obstáculos se levantem, principalmente o nosso orgulho, a resistência ao quebrantamento. Às vezes somos levados pelas circunstâncias a pensar mais seriamente sobre nós mesmos, nossos objetivos, a vida que estamos levando. Mexendo nas minhas gavetas, vi que em 2004 já tinha enfrentando uma profunda reflexão sobre o serviço a Deus, quando escrevi um desabafo: "Senhor, tenho a sensação de que atrapalho a Tua obra, sensação de ocupar um espaço para o qual não sou apto, por vários motivos, como inexperiência, falta de conhecimento adequado e uma vontade de ajudar que muito mais traz complicações do que facilita as coisas. Tenho vivido para não causar melindre, para não despertar ciúme, e não tenho conseguido ser eu mesmo,. Passei a esconder meus sentimentos, a reconhecer minha falta de importância e confesso que perdi a motivação. Quem sou eu na Tua igreja? Sinto-me muito mais um intrometido do que qualquer outra coisa. Um despreparado para tão grande missão divina. Talvez eu esteja decepcionado comigo mesmo, com a minha impaciência, com a minha ingratidão, com a minha falta de fé, com a minha arrogância, com o meu orgulho. Perdoe-me, Senhor, pelo desabafo".

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Que torta de frango!

"A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do Senhor, a esposa prudente” (Provérbios 19:14).

Um amiguinho dos meus filhos estava em casa e minha esposa fez uma torta de frango para o lanche da tarde da rapaziada. Ao dar o primeiro bocado, ele falou: "Nossa, que torta deliciosa. É a torta mais gostosa que eu já comi na minha vida". Eu olhei para os meus dois filhos, eles para mim, e parece que falamos juntos: "A mamãe é mesmo uma excelente cozinheira!".

Depois deste fato, fiquei pensando como elogio pouco as refeições que ela prepara ou mesmo as suas atividades para nos servir. Lembrei que nem a cama tenho arrumado direito, que sempre me confundo com a toalha que estou usando, que deixo roupas usadas espalhadas pelo quarto, que há algum tempo não lavo as louças para ajudá-la.

Em Provérbios, Salomão reconhece que Deus é quem dá a esposa prudente, cuidadosa, carinhosa, amorosa: "O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR" (Provérbios 18:22). E o marido precisa expressar para a sua amada a importância do presente que ele recebeu de Deus. Sei que na correria do dia as coisas tendem a ficar mais esquecidas, mas não pode ser assim.

Afinal, ter uma colaboradora, uma ajudadora, uma auxiliadora é muito melhor do que aquela esposa briguenta, que só reclama, que em vez de apaziguar coloca fogo na casa: "O gotejar contínuo no dia de grande chuva e a mulher rixosa são semelhantes" (Provérbios 27:15).

É, tenho mesmo motivos para agradecer...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Multiplicando oportunidades

"Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel" (1 Coríntios 4:1 e 2).

Estas palavras do apóstolo Paulo deixam bem claro que, quando da prestação de contas - que todos enfrentaremos -, devemos ser encontrados fiéis. Fidelidade é o resultado do exercício da fé. Diz-se que fiel é aquele que conserva. Mas, na realidade, não é. O fiel (na parábola dos talentos - Mateus 25:14-30) foi o que multiplicou. Por que o que conservou foi considerado infiel? Deus não nos dá nada para guardarmos, mas para distribuirmos.

Quando a fé é exercitada? Quando há uma oportunidade. Davi, por exemplo, exerceu sua fé contra Golias (1 Samuel 17), o que lhe deu acesso ao palácio. Moisés diante do Mar Vermelho, quando o povo fugia do Egito, também se viu obrigado a tomar uma atitude: “Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êxodo 14:15).

A fé não é somente contemplativa, mas sempre atua. Começou em Gênesis: “Deus disse…” (Gênesis 1:3). É verdade que a contemplação, a reflexão, é importante e pode nos levar à fé. Mas a fé sem ação não é funcional, não produz: "A fé sem obras (ação) é morta” (Tiago 2:26).

Estas oportunidades, ou aproveitamos ou desperdiçamos, por isso precisamos correr riscos. Ou agimos ou ficamos passivos. A fidelidade é observada nas nossas prioridades. Josué, ainda jovem, não largava de Moisés: "Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda" (Êxodo 33:11).

Alguns vêem somente os obstáculos, as barreiras. Mas, para uma pessoa de fé, no meio das crises há sempre uma oportunidade!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Estratégia contra a solidão

Estamos cercados por gente solitária. Até homens e mulheres piedosos às vezes sofrem desse mal. Elias destaca-se no Antigo Testamento como o mais dramático e poderoso profeta de Deus. Ele deteve a chuva, desafiou um rei face a face, fez descer fogo do céu, ordenou a execução de centenas de falsos profetas, predisse com exatidão o dia em que terminaria uma seca de três anos e meio. Lemos em Tiago 5:17: “Elias era homem semelhante a nós”. Também ele passou por tempos de solidão e desespero.

Por haver dado quatro passos errados, Elias encontrou-se sob uma árvore em completo desânimo (1 Reis 18:46 a 19:4). Primeiro, esgotou-se fisicamente. Segundo, transtornou-se emocionalmente. Terceiro, deixou de recorrer a Deus espiritualmente. Quarto, isolou-se socialmente. No fim, sucumbiu sob uma árvore num lugar deserto e clamou: “Basta, Senhor! Tira-me a vida. Sinto-me exatamente como morimbundo”. Muitas vezes nos sentimos assim, sem ninguém por perto para incentivar, desanimados. 

Deus satisfez a cada uma das necessidades de Elias em suas horas de crise. Fisicamente, deu-lhe alimento e sono. Emocionalmente, fez Sua presença conhecida a Elias e o estimulou. Espiritualmente, exortou-o a uma vez mais segui-lo. Socialmente, Deus disse a Elias que havia um grande número de homens e mulheres com os quais ele podia confraternizar e dos quais receber mais estímulo.

Deus quer satisfazer as nossas necessidades. Não podemos viver sozinhos e por nossa própria conta a vida cristã vitoriosa, é impossível. Experimentamos a vitória pelo poder de Cristo que habita em nós (Gálatas 2:20). Sua presença e poder se evidenciam de modo especial quando duas ou três pessoas se reúnem (Mateus 18:20).

A última coisa que Cristo nos disse antes de subir ao céu foi que Ele estaria sempre conosco (Mateus 28:20). Ele deseja ser nosso melhor amigo. Temos de nos manter ativamente em comunhão com o povo de Deus (Hebreus 10:25), e pararmos de tentar enfrentar sozinhos as batalhas diárias. A vitória na vida cristã é sempre um trabalho em equipe.            

sábado, 21 de janeiro de 2012

Socorro que vem do santo céu

Reprodução do Jornal da Cidade de Bauru, 17/01/2012
"Eu estava na última fileira e quando o ônibus tombou as pessoas começarama a cair em cima de mim e alguns bancos também me atingiram. Foi um desespero. A minha bolsa abriu e o celular caiu na mão de uma colega minha, que ainda conseguiu ligar para pedir socorro e avisar o meu marido. Estava tudo escuro na hora do acidente. Graças a Deus estou viva, assim como os outros passageiros".

Este testemunho eu ouvi de uma senhora que mora a 50 km de Bauru, em São Luiz do Guaricanga. Ela pega o ônibus todos os dias, às 5h30, em direção a Bauru, onde trabalha. Só que chovia muito numa das madrugadas no começo deste ano quando ocorreu o acidente. O veículo tombou no acostamento da rodovia Marechal Rondon, depois de bater num caminhão. O caminhonheiro fugiu sem prestar socorro. Ela não quebrou nenhum osso e nem se cortou. Só está sentindo as dores das batidas.

A senhora contou que apenas uma pessoa se feriu com mais gravidade. A irmã dela, com o rosto cheio de hematomas e o nariz inchado, também falou do livramento: "Conforme as pessoas foram saindo do ônibus, eu não acalmei enquanto não vi a minha irmã. Foi um alívio encontrá-la. Só depois percebi que meu nariz não parava de sangrar".

Depois do acidente, ao visitar esta família, abri nos Salmos 20 e comecei a lê-lo para as duas mulheres. Aquelas palavras saltaram aos nossos olhos, como se tivessem acabado de ser escritas: "O SENHOR te responda no dia da tribulação; o nome do Deus de Jacó te eleve em segurança. Do seu santuário te envie socorro e desde Sião te sustenha. Lembre-se de todas as tuas ofertas de manjares e aceite os teus holocaustos. Conceda-te segundo o teu coração e realize todos os teus desígnios. Celebraremos com júbilo a tua vitória e em nome do nosso Deus hastearemos pendões; satisfaça o SENHOR a todos os teus votos. Agora, sei que o SENHOR salva o seu ungido; ele lhe responderá do seu santo céu com a vitoriosa força de sua destra. Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus. Eles se encurvam e caem; nós, porém, nos levantamos e nos mantemos de pé. Ó SENHOR, dá vitória ao rei; responde-nos, quando clamarmos" (Salmos 20:1-9).